O Coletivo Nacional de Lésbicas Negras Feministas Autônomas – CANDACES BR, tem como diretriz principal a visibilidade, letramento e empoderamento das lésbicas negras sendo destituído de preconceitos e discriminação de qualquer natureza (racismo, sexismo, lesbofobia, discriminação racial e todas as discriminações correlatas). Compondo-se de um espaço para o exercício da solidariedade e construção dos conceitos de promoção de Cidadania e Direitos das Lésbicas Negras, no desenvolvimento da consciência crítica visando autonomia e transformação do indivíduo para que este se torne agente transformador em nossa sociedade.

O Coletivo Candaces tem como finalidade a luta pelo estabelecimento de uma política eficiente de saúde publica ligada a feminização da AIDS, através do Plano Integrado de Enfrentamento à Feminização da Epidemia da AIDS e outras DST, bem como desenvolver projetos voltados para a promoção da cultura, educação ambiental, comunicação, arte e gênero.

O Candaces também traz a preocupação e o recorte das pessoas com deficiência, nesse caso em específico as lésbicas e bissexuais, com algum tipo de deficiência. Para a garantia das especificidades no contexto geral das Políticas Públicas, no reconhecimento enquanto sujeitos políticos da história. Não são privilégios, mas sim uma atenção diferenciada dentro da política de saúde nacional, respeitando sempre as condições e limitações das pessoas com deficiência. Nesse sentido torna-se de suma importância que o segmento das pessoas com deficiência seja consultado na elaboração de novas propostas de Políticas Públicas visando sempre à acessibilidade e a inclusão social para todos.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Brasília/DF, 18 de junho de 2008.

Senhoras e Senhores, boa tarde.

Falo em nome do coletivo de organizações LGBT que firmam este documento, as
quais participaram da Conferência da Sociedade Civil preparatória para a
Revisão de Durban e continuam presentes nesta Conferência de Governo.

Nós, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais das Américas e
Caribe, tendo em vista a importância da Conferência Mundial contra o Racismo
e de suas Revisões, manifestamos nossa indignação ante às afrontas
efetuadas por vários países contra os direitos fundamentais, a liberdade no
exercício da orientação sexual e a livre expressão da identidade de
gênero.

Exemplos desse desrespeito sistemático aos direitos humanos são demonstrados
pelo elevado grau de violência de natureza homofóbica em todo o mundo, do
nível individual ao nível institucional.

Repudiamos os 86 países que consideram ilegais atos homossexuais, em que se
destacam os 7 em que tais atos são punidos com pena de morte (Irã, Emirados
Árabes Unidos, Mauritânia, Iêmen, Nigéria, Arábia Saudita e Sudão). Esses
86 países, dentre os quais se incluem nações da América Latina e Caribe,
protagonizam e autorizam violências contra as conquistas da Declaração
Universal dos Direitos Humanos, ao criminalizarem a liberdade no exercício da
orientação sexual e a livre expressão da identidade de gênero.

Deste modo, demandamos dos Estados:

Inclusão na Conferência de Revisão de Durban em Genebra 2009 de orientação
sexual, e de identidade e expressão de gênero como motivos de discriminação;

Garantia legal e a igualdade jurídica para o livre exercício da orientação
sexual e da expressão da identidade de gênero, de modo que os Estados
democráticos e de Direito assegurem o gozo pleno dos direitos humanos e da
cidadania, por meio do financiamento de ações afirmativas e políticas
públicas.

Solicitamos ainda aos Estados apoio à Rede Latino-Americana e Caribenha LGBT,
criada para monitorar a aplicação do Plano de Ações de Durban. Requeremos a
dotação de recursos orçamentários dos fundos destinados à Conferência.
Informamos que nossa próxima reunião será em janeiro de 2009, no VIII Fórum
Social Mundial de Belém do Pará, Brasil.

O silêncio também é uma das armas contra lésbicas, gays, bissexuais,
travestis e transexuais, por isso reiteramos ser imprescindível visibilizar ao
máximo, em todos os documentos desta Conferência, a questão da liberdade no
exercício da orientação sexual e na expressão da identidade de gênero,
assim como é preciso fortalecer a sociedade civil organizada, cientes da
diversidade étnico-racial e geracional da população LGBT e da necessidade de
garantirmos a laicidade dos Estados.

Exigimos dos Estados o respeito à resolução 2435 da XXXVIII-O/08 da
Organização dos Estados Americanos, aprovada na quarta sessão plenária,
celebrada em 3 de junho de 2008, que trata da preocupação quanto à
violência homofóbica e da premência acerca da inclusão do tema
"direitos humanos, orientação sexual e identidade de gênero".

Senhor Presidente, reitero que tais considerações de modo algum pulverizam a
discussão central desta Conferência, muito ao contrário. Visto que tratam
das dificuldades sofridas por negras e negros LGBTs, sujeitos de sexualidades
milenarmente discriminadas vivenciando o contexto estruturante do racismo, elas
qualificam, com novas estratégias de enfrentamento, a pluralidade de
expressões do racismo, da discriminação racial, da xenofobia e das
intolerâncias correlatas que são alvos de Durban.

Assinam este documento Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais,
Travestis e Transexuais – ABGLT; o Coletivo Lésbico Dominicano; o Coletivo
Nacional de Lésbicas Negras Feministas Autônomas – Candaces BR; a
Federación Argentina de Lesbianas, Gays, Bissexuales e Trans; a Rede Afro LGBT
– Brasil; e a Rede LGBT do Mercosul.

Muito obrigado.

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